Apocalipse – parte 1 – Bp. Roberto McAlister
O que eu vou ensinar nesta série é radicalmente diferente da doutrina popular sobre o Apocalipse. Portanto, se você já tem a sua opinião formada quanto ao milênio, a grande tribulação, o anticristo, enfim, ao processo dos eventos nos últimos tempos, esta série pouco lhe será útil. Hoje em dia estão sendo ensinadas coisas extravagantes, de tal forma que eu me senti na obrigação de orientar o povo da Nova Vida. Desejamos apenas oferecer o que nos parece uma interpretação racional e, antes de mais nada, bíblica, deixando que a Palavra de Deus “fale” por si mesma.
Primeiro, uma definição da palavra “Apocalipse”. Em termos bíblicos, significa uma visão do fim terrível do mundo e o início glorioso de um mundo novo. O dicionário lhe dará apenas a primeira parte da definição. Mas quando se trata deste livro bíblico, não se pode falar de Apocalipse apenas em termos terríveis, mas também em termos gloriosos. Porque, com a destruição da Babilônia e tudo o que esta palavra representa, haverá um novo céu e uma nova terra. Portanto, nós temos que falar do início glorioso de um novo mundo. (…)
Curiosamente, este é o único livro na Bíblia que promete uma benção para quem o lê. Mais esquisito ainda é o fato de que é o livro menos estudado de todos os demais, por ser, para muitas pessoas, complicadíssimo. Um livro cheio de bichos, chifres, dragões, bestas e não sei mais o que. Então, o povo começa a ler, fecha e diz: “Não! Isso é maravilhoso demais para mim! É complicado demais para mim!” Mas a Bíblia diz, no versículo 3 de Apocalipse capítulo 1: “Bem- aventurados aqueles que lêem, aqueles que ouvem as palavras da profecia.” (…)
Eu lembro da primeira vez que li todos os vinte e dois capítulos de uma tacada só, também fiquei meio confuso. Mas, depois de fechar o livro, permaneci em silêncio durante um minuto e me arrepiei. Senti na minha carne uma reação à leitura deste livro. Nunca me acontecera tal coisa. E eu disse: “Meu Deus! Com tantas coisas inexplicáveis, tantas coisas que eu preciso te perguntar, eu preciso estudar, preciso receber por revelação”. Mesmo assim a leitura deste livro já me abençoou. Recomendo que você leia, pelo menos uma vez, de uma tacada só todos os vinte e dois capítulos. É uma experiência completamente renovadora.
O Apocalipse é um livro singular porque ele não se auto-explica. Ele só pode ser compreendido à luz dos outros livros da Bíblia. A chave de interpretação está entre as duas capas da Bíblia. Se você levar para o Apocalipse a sua interpretação pessoal, você vai ficar confuso, vai entender tudo errado, porque não tem dentro de si a chave dessa interpretação. No espaço de vinte e dois capítulos há quase 250 citações ou referências ao Velho Testamento. (…)
Outro ponto: este livro contém trezentos símbolos. Preste bem atenção a esta palavra. Quando Apocalipse 1.1, foi traduzido para o português, houve um erro. Onde é dito que Jesus Cristo, por intermédio do seu anjo “notificou” ao seu servo João, o correto, baseado na palavra grega original seria dizer “simbolizou”. Este livro está cheio de símbolos, sempre indicando alguma outra coisa. Nós temos que entender a riqueza simbólica ou vamos cair no ridículo de interpretar literalmente o que está ali. Jesus não é um cordeiro. Nós temos que entender o que é o “Cordeiro de Deus”. Jesus é o filho unigênito de Deus, chamado de Cordeiro por João na sua visão. E cada símbolo no Apocalipse representa um personagem ou um evento. João viu coisas que ele não podia descrever. Coisas magníficas, espantosas. E com o vocabulário, com a imaginação de que ele dispunha, deve ter pensado “parece-me isto” e assim escreveu. Nós leremos este livro, símbolo por símbolo e, no final, não importa a sua interpretação, você terá de concordar comigo que Jesus Cristo é o Senhor para sempre. Esta é a mensagem do livro do Apocalipse. Nós podemos discordar, debater, discutir certas coisinhas aqui e acolá, mas o tema, a base deste livro é a vitória do Cordeiro, a vitória do Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Apocalipse consiste de sete visões. Vou dar rapidamente um resumo do livro. Há sete divisões chamadas visões. 1ª visão, capítulos de 1 a 5: “Cristo e a igreja, no mundo e no céu”. A 2ª visão, capítulos 6 e 7: “Os sete selos”. A 3ª visão compreende os capítulos de 8 a 11: “As sete trombetas”. A 4ª visão, capítulos 12 a 14: a luta contra a trindade satânica. A 5ª visão, capítulos 15 e 16: “Os sete flagelos ou pragas”. A 6ª visão, capítulos 17 a 19: “A destruição do mal”. A 7ª visão, capítulos 20 a 22: “Julgamento e vitória finais”.
Eu quero lhe dizer certas coisas sobre as sete visões deste livro. Primeiro: cada visão é completa em si. Cada visão começa com Cristo, o Cordeiro, e termina lá no que vamos chamar de “a segunda vinda de Jesus Cristo”. Cada visão compreende o mesmo período histórico. Não há seqüência entre estes eventos. Um dos erros fundamentais de interpretação do Apocalipse é se pensar: “Ah, nós estamos agora nesta época e a outra época já passou”. Nada disso. Vamos descobrir que cada visão diz a mesma coisa por um ângulo diferente. E cada visão vai nos dar outros pormenores a respeito do período entre a primeira vinda e a segunda vinda de Cristo, falando também em certas ocasiões sobre as conseqüências da segunda vinda, ou seja, aquele período logo depois da reunião lá no céu. Mas saiba que cada visão é completa em si e descreve o panorama histórico entre a primeira e a segunda vinda de Jesus. Não há seqüência entre estas visões. Estas visões não representam períodos diferentes na história. Se você cair neste erro, vai se confundir tremendamente tentando adivinhar “O que fica onde?”, “quando é que aconteceu ou vai acontecer?” Não há confusão nestas partes, se você entender que cada visão é completa e representa uma revelação. Há sete revelações neste livro, e elas não têm ligação entre si. Portanto, cada visão é um panorama do drama cósmico que envolve três elementos: Jesus Cristo, a sua Igreja e Satanás. Três coisas fundamentais, com símbolos, números, imagens, descrições extravagantes.
Há duas maneiras básicas de interpretar o Apocalipse. A primeira é literalmente e a segunda é simboli-camente, cada qual com um grande número de partidários entre os estudiosos da Bíblia. Nós rejeitamos a interpretação literal, exceto nos lugares quando obviamente o apóstolo João está referindo-se a uma coisa determinada. Por exemplo: o autor do livro, João, não é símbolo de nada. Então quando ele está falando de João, está falando de uma pessoa. Ele não representa todos os homens chamados João. Ele não é símbolo da raça humana. Ele é João e ponto final. Quando refere-se às sete igrejas, são mesmo sete igrejas identificadas pela cidade em que se encontram. Igrejas na Ásia, igrejas históricas, igrejas literalmente fundadas naqueles lugares. A igreja de Éfeso não simboliza uma coisa. É uma igreja. A igreja de Laodicéia é uma igreja sentada, plantada, construída na cidade chamada Laodicéia. Não é símbolo de nada.
Mas quando chegamos aos símbolos, a coisa muda de figura completamente, e o literalista cai no ridículo porque, no primeiro capítulo, João diz: “Eu vi Jesus, cuja língua era uma espada”. Ele não disse que a língua era como uma espada, mas que “a sua língua era espada”. Eu já vi desenhos de Jesus com uma espada saindo da boca. Grotesco! Horroroso! Ridículo! Interpretar literalmente esta visão, dizer que Jesus não tem língua, que tem uma espada saindo do rosto, é absurdo!
A única maneira correta de interpretar o Apocalipse é simbolicamente. Mas o simbolismo será útil, bíblico e explicativo a quem cumprir duas condições. Primeira: ler esse livro como se fosse pela primeira vez. Você precisa deixar de lado o que já aprendeu sobre o Apocalipse, porque, de fato, você teria que ser doutor em Teologia para entender tudo o que esse livro diz. Eu não me considero um sábio, mas tenho investido anos e anos, e ofereço a minha interpretação para a sua consideração. Mas quando cheguei a este livro com o intuito de compreendê-lo, deixei de lado o que eu havia aprendido no seminário, o que havia aprendido no Canadá, na Igreja Pentecostal,e o li com a mente e o coração abertos, e Deus me falou por intermédio dessa palavra. A segunda condição para entender o Apocalipse é usar a própria Bíblia como a sua chave de interpretação, como eu disse anteriormente.
(Continua)
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Senhores,
Achei muito interessante essa colocação do Bp. Roberto McAlister, pois tem muitas pessoas da Igreja Nova Vida ou de qualquer denominação que tem o pensamento muito centralizado do Livro do Apocalipse em destruição, não conseguem entender palavra por palavra, frase por frase, que tudo que está escrito no livro não é destruição e sim libertação para um novo mundo.
Vou continuar acompanhando essa série muito interesssante.
Att,
Henderson Rocha.
A chave para a revelação do livro do Apocalipse está em “ser arrebatado em espírito no dia do Senhor” (Apocalipse 1.10) Sim, para entender o Apocalipse é preciso estar com os pés em Patmos, mas com todo o seu ser prostrado diante do trono de Deus. É fundamental ler suas palavras com os olhos, mas entender com a voz do Espírito. É preciso olhar para cada carta e ver Jesus como o Salvador da humanidade, o Conquistador do mal e o Noivo da Igreja.
Pois é no livro do Apocalipse que a Revelação se revela como o Noivo Amoroso que tem a plena capacidade de atrair, purificar e preparar a Sua Noiva. No Apocalipse encontra-se registrada a perfeita e completa mensagem de Cristo à Sua Noiva. (As Cartas de Amor de Jesus)
Por favor onde posso adquirir, se tem o livro Apocalipse de Robert Macalister. Grato
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